10 de janeiro de 2010

pro.pri.e.da.de

pro.pri.e.da.de. sf (lat proprietate) 1 Qualidade de próprio. 2 Aquilo que é próprio de alguma coisa; o que a distingue particularmente de outra do mesmo gênero. 3 A coisa possuída; a coisa cuja posse pertence por direito a alguém.

Des-apropriar, ou seja tirar-lhe algo que lhe é próprio. O que lhe é próprio? Seriam os bens? A casa. Os sapatos? Propriedade nestes termos, além de cômodos. São quartos de lembranças, ruas de brincadeiras, o caminho da escola. São portas que trazem um descanso, desses de dormir de dois olhos fechados. É teto pra correr em dias de chuva, em dias de sol... É sim, é preciso reinventar o direito.


8 de janeiro de 2010

DUAS VEZES NÃO SE FAZ

Poema de Hermano José

Não se faz o mundo duas vezes:
Duas vezes a Lua.
Duas vezes o Mar.

Não se faz duas vezes;
A inclinação do Cruzeiro do Sul,
A rotação diversas dos Astros
A luz solar riscando madrugadas,
Crepúsculos incendiados
Para o sono dos pássaros.

Duas vezes não se fará:
O rumor das ondas
Por cima de caranguejos translúcidos.
Chuvas tropicais
Resvalando em rios caudalosos,
Pororocas noturnas,
Revolvendo assombrações
Mas, se fará:
Negras espumas de óleo subterrâneos
Nuvens asfixiantes em horas imprevisíveis,
Mortos mares naufragados em detritos,
Desertos de verdes calcinados,
Terra desfigurada de pólo a pólo.
Terra inútil
Túmulo rejeitado
De fracasso humano.

6 de janeiro de 2010

Morada

por Andre (que escreve aqui neste universo)

Na morada
onde moram os segredos dos sonhos
onde sonho em mergulhar desejos
Na morada
que traz no ventre a segurança
e no beijo a tranquilidade
Na morada
que me meu peito carrega
ferve o sangue e evapora saudades
Na morada que tive
me livrou do mundo
me apartou da realidade
foi casa, lar, felicidade...
Mas quando só
acordei na morada
e não havia mais chão
não havia mais teto
não havia mais morada...
http://cocaialuta.zip.net/

Moradores da comunidade Brejinho marcham contra descaso do poder público

por Rodrigo Andrade

Na manhã de hoje, 5 de janeiro, os moradores da comunidade Brejinho, às margens da represa Billings, no Grajaú, levantaram-se contra o descaso e a falta de respeito da Prefeitura. Com suas casas alagadas há semanas, ameaçadas de despejo sem indenização, criminalizadas e sem perspectiva de auxílio por parte do poder público, setenta moradores, representando dezenas de famílias, perderam o dia de trabalho e puseram-se em marcha na caótica Av. Dona Belmira Marin, rumo a Sub-Prefeitura da Capela do Socorro, esperando obter respostas e alternativas para o problema.

Com situação muito parecida com a do Jardim Pantanal, na zona leste, a comunidade está ameaçada de despejo pelo Programa Mananciais e pela EMAE (Empresa Metropolitana de Águas e Energia), e tem sofrido enchentes “nunca ocorridas em 30 anos de existência” – dizem os moradores.

A manifestação, pacífica, sofreu logo cedo o primeiro golpe: Funcionários da Defesa Civil da Sub-Prefeitura foram até a comunidade e tentaram intimidar os moradores dizendo que nada adiantaria realizar a marcha, que a prefeitura não iria tomar qualquer atitude! Os moradores não se entregaram e, às 9h30, partiram pra duas horas de caminhada sob forte sol e riscos do trânsito. À frente, moradores com faixas e megafone explicavam a toda a população do Grajaú o motivo do ato, pedindo compreensão aos motoristas e comerciantes, e reafirmando o compromisso de uma ação pacífica. Sem nenhum incidente no caminho, os moradores adentraram a Sub-Prefeitura exclamando “O povo na rua, prefeito a culpa é sua!” e exigindo uma reunião com o Sub-Prefeito Valdir Ferreira, que, pra variar, não estava.

A população foi atendida pelo chefe de gabinete, Elmer Marques, que recebeu uma comissão de 7 moradores, para realizar a reunião que esclarecesse as dúvidas sobre as ações de despejo e a falta de auxílio quanto às enchentes, que são muitas já que nada tem sido informado à população, e exigir a inserção em programas habitacionais, prestando auxílio aluguel às famílias que não tem condições de permanecer em suas casas até a execução de tais programas. Estiveram presentes também: Mario Senji Hasegawa (defesa civil), Carlos Nascimento (assessor de comunicação) e Donizetti Felício (assessor de gabinete). Os moradores que não participaram da reunião permaneceram na praça da Sub-Prefeitura.

Após quase duas horas, a comissão retornou trazendo as proposituras da reunião. Foi dito que a Secretaria de Habitação (SEHAB) já foi acionada e que ela prevê que os moradores receberão auxílio-aluguel vinculado a uma alternativa habitacional definitiva. O cadastro social dos moradores será concluído até o início da próxima semana e foi marcada uma próxima reunião no dia 12, segunda, ocasião em que já haverá um posicionamento mais claro da SEHAB. O problema é que a Sub-Prefeitura alega que, necessariamente, as famílias continuarão sendo notificadas como infratoras, e terão suas casas interditadas, mesmo antes da apresentação de qualquer resposta concreta.

Após a ação os moradores retornaram pacificamente para casa, com o compromisso de informar os moradores que não puderam comparecer e discutir os encaminhamentos da reunião. Prometeram manter-se organizados e em luta, dizendo, ainda, que haverá novos atos caso os acordos sejam descumpridos.

5 de janeiro de 2010

Lua

- Entra, a casa é tua.