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15 de novembro de 2010

anuviou-se o dia

É, hoje o dia não está mesmo pra poesia... Está mesmo pra chover como diria o poeta. Acordei como se tivesse chorado, mas que saiba, num tinha não. Depois vi que era dia de choro. E o que tenho a fazer é apenas desejar que ela pouse bem em outras terras, desejar que se encante em outros ares. E aos que ficam não há palavra, nem haverá não.

2 de agosto de 2010

30 de junho de 2010

Fora da palavra
Quando mais dentro aflora

(Caetano e Milton)

29 de junho de 2010

Fora da palavra
Quando mais dentro aflora

(Caetano e Milton)

28 de junho de 2010

a insonia é plural

a insonia são essas idéias a não querer sonhar

10 de junho de 2010

dia do avesso

e algo que estava dentro se aflorou
e algo que estava fora adentrou

24 de abril de 2010

Certa manhã acordei de sonhos intranquilos

(pois é frase de um album afeito ao meus ouvidos, pois também vem do livro de K. "Quando certa manhã Gregor Samsa acordou de sonhos intranquilos, encontrou-se em sua cama metamorfoseado num inseto monstruoso", pois foi assim...)

19 de abril de 2010

Chaves

Foi sem querer que reencontrei a chave daquele antiquário há tempos cá dentro de mim. Eram aqueles mesmos móveis que já foram lugar de aconchego e na mesma disposição familiar, como se houvesse algo em mim que os preservava assim. Só que agora, todos cheios de pó acumulado e acinzentado, não esquecidos, mas deixados de canto até não haver memória deles. Aquela imagem pairava na minha mente como disco riscado. Doía por um não sei quê, congestionavam o nariz com tanta poeira acumulada e provocavam inquietude do não saber mais o que fazer disso.

12 de abril de 2010

Muros

Criados esquematicamente, periodicamente. Perdiam o sentido a cada tijolo. E na dança do tempo, quem via o que se passava do lado de lá? Naquela época talvez tivessem algum sentido. Tiveram? Sabe-se lá. Agora com um martelinho, broca, britadeira é preciso criar portas, janelas, quem sabe fazer uma casa arejada ou senão apenas deixar um cercadinho baixo e com portão para as cheganças.

6 de abril de 2010

Febre

Foi e achei que tinha ido. A transição do que vai e fica é mesmo indefinível em espaços temporais tradicionais. Tantos marcos, concretos ou imperceptíveis no próprio momento. Quando o ano “acabou”, lutos, despedidas e nascimentos já se faziam no percurso... mas meu ano não, não havia mudado, mesmo com todo aquele mar e eu ali nem sabia. E foi dia desses, em momentos de deriva e de bobeira, no fim das águas de março, que pulei as tais sete ondas numa meia noite daquelas.