8 de janeiro de 2010
DUAS VEZES NÃO SE FAZ
Não se faz o mundo duas vezes:
Duas vezes a Lua.
Duas vezes o Mar.
Não se faz duas vezes;
A inclinação do Cruzeiro do Sul,
A rotação diversas dos Astros
A luz solar riscando madrugadas,
Crepúsculos incendiados
Para o sono dos pássaros.
Duas vezes não se fará:
O rumor das ondas
Por cima de caranguejos translúcidos.
Chuvas tropicais
Resvalando em rios caudalosos,
Pororocas noturnas,
Revolvendo assombrações
Mas, se fará:
Negras espumas de óleo subterrâneos
Nuvens asfixiantes em horas imprevisíveis,
Mortos mares naufragados em detritos,
Desertos de verdes calcinados,
Terra desfigurada de pólo a pólo.
Terra inútil
Túmulo rejeitado
De fracasso humano.
6 de janeiro de 2010
Morada
Na morada
onde moram os segredos dos sonhos
onde sonho em mergulhar desejos
Na morada
que traz no ventre a segurança
e no beijo a tranquilidade
Na morada
que me meu peito carrega
ferve o sangue e evapora saudades
Na morada que tive
me livrou do mundo
me apartou da realidade
foi casa, lar, felicidade...
Mas quando só
acordei na morada
e não havia mais chão
não havia mais teto
não havia mais morada...
Moradores da comunidade Brejinho marcham contra descaso do poder público
por Rodrigo Andrade
Na manhã de hoje, 5 de janeiro, os moradores da comunidade Brejinho, às margens da represa Billings, no Grajaú, levantaram-se contra o descaso e a falta de respeito da Prefeitura. Com suas casas alagadas há semanas, ameaçadas de despejo sem indenização, criminalizadas e sem perspectiva de auxílio por parte do poder público, setenta moradores, representando dezenas de famílias, perderam o dia de trabalho e puseram-se em marcha na caótica Av. Dona Belmira Marin, rumo a Sub-Prefeitura da Capela do Socorro, esperando obter respostas e alternativas para o problema.
Com situação muito parecida com a do Jardim Pantanal, na zona leste, a comunidade está ameaçada de despejo pelo Programa Mananciais e pela EMAE (Empresa Metropolitana de Águas e Energia), e tem sofrido enchentes “nunca ocorridas em 30 anos de existência” – dizem os moradores.
A manifestação, pacífica, sofreu logo cedo o primeiro golpe: Funcionários da Defesa Civil da Sub-Prefeitura foram até a comunidade e tentaram intimidar os moradores dizendo que nada adiantaria realizar a marcha, que a prefeitura não iria tomar qualquer atitude! Os moradores não se entregaram e, às 9h30, partiram pra duas horas de caminhada sob forte sol e riscos do trânsito. À frente, moradores com faixas e megafone explicavam a toda a população do Grajaú o motivo do ato, pedindo compreensão aos motoristas e comerciantes, e reafirmando o compromisso de uma ação pacífica. Sem nenhum incidente no caminho, os moradores adentraram a Sub-Prefeitura exclamando “O povo na rua, prefeito a culpa é sua!” e exigindo uma reunião com o Sub-Prefeito Valdir Ferreira, que, pra variar, não estava.
A população foi atendida pelo chefe de gabinete, Elmer Marques, que recebeu uma comissão de 7 moradores, para realizar a reunião que esclarecesse as dúvidas sobre as ações de despejo e a falta de auxílio quanto às enchentes, que são muitas já que nada tem sido informado à população, e exigir a inserção em programas habitacionais, prestando auxílio aluguel às famílias que não tem condições de permanecer em suas casas até a execução de tais programas. Estiveram presentes também: Mario Senji Hasegawa (defesa civil), Carlos Nascimento (assessor de comunicação) e Donizetti Felício (assessor de gabinete). Os moradores que não participaram da reunião permaneceram na praça da Sub-Prefeitura.
Após quase duas horas, a comissão retornou trazendo as proposituras da reunião. Foi dito que a Secretaria de Habitação (SEHAB) já foi acionada e que ela prevê que os moradores receberão auxílio-aluguel vinculado a uma alternativa habitacional definitiva. O cadastro social dos moradores será concluído até o início da próxima semana e foi marcada uma próxima reunião no dia 12, segunda, ocasião em que já haverá um posicionamento mais claro da SEHAB. O problema é que a Sub-Prefeitura alega que, necessariamente, as famílias continuarão sendo notificadas como infratoras, e terão suas casas interditadas, mesmo antes da apresentação de qualquer resposta concreta.
5 de janeiro de 2010
19 de dezembro de 2009
16 de dezembro de 2009
18 anos, 20 histórias
Contando histórias, mostram muitas coisas pra nós. Como deve se cuidar, ter cuidado com as crianças. E ensinar tudo o que fomos ensinados. Contar histórias, causo, piada guarani e lenda que parece ser real, mas que não é real... pode ser que seja. Os mais velhos contam histórias antigas de como era nossa aldeia, como que Guarani vivia. Por isso vou contar também.