8 de dezembro de 2010

2 de dezembro de 2010

Hoje nasci o dia inteiro.

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Sonhei que dizia isso e no sonho "o dia inteiro" era "o ano", "inteiro". Essas coisas-sensações de sonho. Fiquei pensando muito nessa frase que disse dormindo. E de como eu me dizia coisas em sonhos sem saber-sabendo, sem querer-querendo. E eu ali.

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O ano todo nascendo.
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Repeti. Repeti em minha mente como criança que quer ouvir muitas vezes a mesma história. Nascia? E repetia. Da repetição que ecoava, apenas uma única sensação quase física:
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Nascer dói.
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Pensava então. Onde vi isso? Devo ter lido. Clarice teria que ser Clarice Água Viva. Procurei. Procurei, mas não. Apenas havia sido aquela, aquela mesma que ao nascer dizia. Não, não era Clarice que me traduzia.
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Hoje nasci o dia inteiro.
Nascer dói.
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19 de novembro de 2010

...

tenho
muita
noite
em mim.




*Da série,
experimentações
contra o tédio
no trânsito
paulista,
novembro,
2010.

17 de novembro de 2010

boniteza...

Delicadeza crua.
Achado ao ocaso num canto por aí...


Filme Alma, de André Morais.

* o.ca.so. sm (lat occasu) 1 Pôr-do-sol; o desaparecimento de qualquer astro no horizonte. 2 Momento em que esse desaparecimento se realiza. 3 Ocidente, poente. 4 Decadência, declínio, ruína. 5 Fim, final, termo. 6 Morte.

15 de novembro de 2010

anuviou-se o dia

É, hoje o dia não está mesmo pra poesia... Está mesmo pra chover como diria o poeta. Acordei como se tivesse chorado, mas que saiba, num tinha não. Depois vi que era dia de choro. E o que tenho a fazer é apenas desejar que ela pouse bem em outras terras, desejar que se encante em outros ares. E aos que ficam não há palavra, nem haverá não.

12 de novembro de 2010

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Rodopia na noite sábio senhor

Rodopia na vida

Espia a ferida, mas não se intimide

Enfeita o sol de poesia, pois o dia amanhece e

o que a lua levemente iluminava chega o sol a aclarar.

Mas espia que nem sempre no claro do sol é que se vê

Espia que a noite negra alumia o mistério que só lá se pode ver.

(um dia de novembro, 2010)

2 de novembro de 2010

compondo silêncios

Nesses dias que as palavras me faltam, gosto de ouvir um bom samba... e talvez assim significar o que pula cá dentro, assim sem pretensão, assim pela melodia assobiada, pelo refrão, pelo pé a movimentar-se no chão, pelos olhos fechando enquanto o corpo baila. Assim...

Então, esses dias vi essa foto que a Mari publicou, foi deste ano mesmo e até parece há mais tempo. Foi em março, quando chegávamos ao mar pra pular as sete ondas, já que os inícios nunca esperam data marcada. Atrás dos olhos que fotografam havia muito samba ao amanhecer e de pé na areia...

Então, olhar essa fotos deu um aconchego nesses dias de poucas certezas e certa tristeza. Talvez porque alem desse momento de alegria singela, veja esse mar de samba trazendo as aguas de março em mim.


É pau, é pedra, é o fim do caminho
É um resto de toco, é um pouco sozinho
É um caco de vidro, é a vida, é o sol
É a noite, é a morte, é o laço, é o anzol

(...)

São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração

6 de outubro de 2010

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Morrer de amor não é difícil, não.

Se atirar do edifício...

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Viver de amor é que é difícil.
Se atirar
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*reverberando daqui: doirrespiravel.blogspot.com, do Baleiro, de algumas vezes que morri e de outras que apenas suavememente me atirei...